“Tibau” Tavares – A Ilha do Maio como inspiração de novas sonoridades
30 Nov 2013

“Tibau” Tavares – A Ilha do Maio como inspiração de novas sonoridades

[su_spacer]
José Mário Tavares Silva nasceu a 21 de julho de 1968 na Calheta, Ilha do Maio. Em pequeno os pais tratavam-no por Tibau. O nome ficou e no mundo artístico é hoje conhecido por Tibau Tavares. Compositor e intérprete, Tibau é autor de vários sucessos da música cabo-verdiana. Atualmente, no panorama internacional da world music, Tibau Tavares é já uma referência na música de fusão.
[su_spacer]

Lembra-se de aos seis anos de idade já tocar na escola e na igreja. Em jeito de brincadeira, diz que nasceu com a guitarra na mão e a música no coração. A sua sensibilidade para a música faz de “Tibau” Tavares um dos compositores cabo-verdianos mais requisitado. Lura, Isa Pereira e Zizi Vaz são apenas alguns dos intérpretes que dão voz às suas criações.

O Maio como fonte de inspiração

Compor é algo que lhe está no sangue. A ilha que o viu nascer e que ele tanto aprecia, serve-lhe, na maior parte das vezes, de inspiração aos temas que compõe e escreve. A calma e serenidade que se vive na Ilha do Maio propicia-lhe a criação artística, principalmente a procura de novos sons, novos arranjos musicais e novos estilos.

Da morna ao batuque, do funaná à música de fusão, Tibau Tavares considera que o mais importante é a alma que coloca nas criações que concebe. Depois a qualidade, quer ao nível da música e arranjos, quer ao nível das letras; atributos indispensáveis para a excelência do produto final.

Apesar de gostar de viver na Ilha do Maio, Tibau não dispensa, sempre que pode, a possibilidade de explorar outras latitudes, outras sonoridades e outras culturas. Dialogar com outros músicos nacionais e estrangeiros torna-se assim essencial para se manter atualizado no competitivo mundo da música, até porque, conforme reconhece, apesar da Ilha do Maio ser um excecional lugar de criação, está um pouco afastado dos circuitos comerciais musicais.

[su_spacer]

Tibau Tavares

[su_spacer]

Procurar novas sonoridades

Tibau Tavares faz parte de um grupo de músicos cabo-verdianos que procura insistentemente a evolução dos ritmos e sons tradicionais. Esta procura de outras formas de transmitir a cultura nacional através da música, ficou-lhe dos tempos em que estudou com Orlando Pantera. A evolução da música é, para o artista, algo de normal e inevitável. Embora com outros sons e outras formas de tocar, Tibau Tavares considera que a fusão preserva a essência dos estilos tradicionais, apenas acrescentando-lhes mais modernidade e atualidade. Para o artista, a fusão moderna na música cabo-verdiana nunca colocará em risco a chamada “música tradicional” pois, também esta, é fruto de muitas fusões e influências.

Apesar das muitas experiências ao nível da eletrónica, Tibau Tavares mantém a preferência pela música acústica. Esta fronteira é, para o músico, conciliadora entre os mais tradicionais e os vanguardistas que tanto justificam as enormes adesões aos festivais de música eletrónica que se realizam em Cabo Verde, como, sempre que há uma tocatina, a adesão é arrebatadora.

[su_spacer]

Tibau Tavares

[su_spacer]

A indústria musical nacional

Tibau Tavares considera a indústria musical cabo-verdiana desorganizada. O facto de aparecerem sempre os mesmos artistas nos palcos nacionais revela, para o compositor, que algo está errado com a divulgação dos músicos nacionais. Para Tibau Tavares, o facto de muitos artistas fazerem carreira fora do país e depois não conseguirem tocar em Cabo Verde é a prova da desorganização dos agentes e promotores musicais nacionais, pois considera que o mercado, com os seus inúmeros festivais e festas municipais, tem capacidade de profissionalizar mais músicos, no entanto, essa falta de coordenação entre os vários operadores da indústria faz com que a maior parte dos artistas tenha que ter outras fontes de rendimento que suportem a sua atividade musical.

Também ao nível dos direitos de autor, e apesar de ser um processo que ainda está numa fase embrionária, Tibau Tavares considera haverem falhas uma vez que questões como a pirataria e a utilização das criações musicais sem remuneração, ainda não estão contempladas ao nível dos direitos autorais. Lamenta que apenas agora se comece a pensar verdadeiramente em proteger os músicos e intérpretes nacionais e que essa falta de inércia tenha feito com que muitos dos melhores músicos que Cabo Verde viu nascer tenham morrido sem nunca terem visto o retorno do seu trabalho em prol da cultura do país.

Tibau Tavares é de opinião que, com organização, metodologia de trabalho e foco num objetivo comum, é possível criar uma verdadeira industria musical em Cabo Verde, pois é um mercado rentável e com boa projeção internacional. Para que isso aconteça é necessário, segundo Tibau, que se promovam os artistas, internacionalizando-os e que se apostem em nomes novos, com novas ideias e novos estilos.

Internacionalizar a carreira musical

A sua constante procura de sonoridades e arranjos para acrescentar aos seus temas está bem retratada na sua mais recente participação no CD “Pupkulies + Rebecca play Tibau”, um género inédito de fusão entre a música tradicional cabo-verdiana e os ritmos eletrónicos do norte da  Europa. Após muitos anos a compor músicas que se tornaram referência em Cabo Verde e no Mundo, este é o seu primeiro álbum, o que o deixa com um sentimento de satisfação e plena realização.

[su_spacer]

Tibau Tavares

[su_spacer]

Tibau Tavares

“Pupkulies + Rebecca play Tibau” foi gravado entre a Ilha do Maio e a Alemanha, país originário dos músicos que dão corpo às novas sonoridades do disco. O trabalho conta com onze temas brilhantemente interpretados por Tibau Tavares e Rebecca Blaul, a alemã que canta em crioulo. O disco fala de histórias reais e imaginárias nas quais a vida dos cabo-verdianos, as suas angústias e alegrias são o centro das atenções.

Ainda antes do lançamento deste seu novo disco, Tibau Tavares teve a oportunidade de testar a recetividade deste seu trabalho no Fusion Festival 2013 que se realizou na cidade de Larz, na Alemanha, de 27 a 30 de julho de 2013, com a adesão a superar largamente as suas expetativas.

Os próximos tempos serão passados em digressão um pouco por toda a Europa, promovendo e dando a conhecer as novas sonoridades de Cabo Verde, o que, para o músico e compositor, é também uma forma de dar a conhecer o país, as suas gentes e culturas.

[su_spacer size=”60″]

[su_youtube_advanced url=”http://www.youtube.com/watch?v=IdMJorc-T-k” width=”800″ showinfo=”no” rel=”no” fs=”no” theme=”light”]


visioncast