Patone Lobo – Investir na qualidade é a chave para o turismo nacional
30 Dez 2012

Patone Lobo – Investir na qualidade é a chave para o turismo nacional

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Patone Lobo, empresário hoteleiro, iniciou-se no setor aos 25 anos, quando aceitou uma vaga no hotel Morabeza, onde trabalhou de 1975 a 2000. O empresário sentiu então necessidade de criar algo pessoal, onde em conjunto com a sua família e empregados, criassem uma unidade hoteleira original, inovadora e de referência nacional. Nasceu assim, fruto de muita dedicação e de uma visão de excelência, o Hotel Odjo d’Agua.
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O cliente do Hotel Odjo d’Agua, conforme diz Patone Lobo, “não gosta do serviço com tudo incluído que existe nos grandes hotéis de massas e que Cabo Verde acolhe com grande regularidade”. Partindo dessa premissa, o empresário iniciou o projeto apenas com 10 quartos com o objetivo de os ir aumentando, à medida que o projeto também crescesse. No entanto, confessa que um cliente alemão lhe pediu para não o fazer. “Ele preferia que eu aumentasse os preços ao invés de adicionar mais quartos. Há pessoas que gostam de hotéis pequenos, com poucos quartos, porque o tratamento é completamente diferente. Quando os clientes chegam, já conhecem os empregados, já os chamam pelo nome e isso fá-los sentirem-se em casa”, afirma o hoteleiro. Serviços personalizados, produtos de qualidade e tratamento privilegiado, são parte do sucesso do projeto Odjo d’Agua, bem no centro de Sta. Maria, na ilha do Sal.

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Com 70 trabalhadores, o empreendedor gere atualmente um total de 46 quartos, bem como 30 apartamentos no Porto Antigo, que aluga principalmente a nórdicos. “Podemos albergar no hotel e no Porto Antigo aproximadamente 200 pessoas. A média de ocupação é de 75% e melhora todos os anos, sendo a época alta de outubro a abril”. Este sucesso culminou no primeiro lugar do Certificado de Excelência do Trip Advisor no Sal.

Meticuloso, perfeccionista e sempre a inovar, Patone Lobo considera que “os turistas que se hospedam no hotel Odjo d’Agua são pessoas que adoram estar em Cabo Verde, pois conforme dizem, Cabo Verde é único, não é parecido com mais nenhum lugar. É algo completamente diferente e singular: temos um bom clima, simpatia e segurança, por isso, temos de saber tirar proveito destas características singulares”, aconselha o hoteleiro.

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Patone Lobo

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Cativar os turistas parece ser a estratégia do sucesso. Patone Lobo está já a fazer planos para continuar a inovar no panorama dos serviços turísticos oferecidos em Cabo Verde. A curto prazo pretende abrir um pequeno casino, o qual já está a movimentar os empreendedores da vila. Conforme diz, “nos bares e nos restaurantes, todos estão a investir, retocando, pintando e modernizando. A partir de agora, com o casino e com a construção da avenida de acesso aos hotéis, a qualidade dos nossos serviços vai crescer. Quem não se modernizar e não acompanhar o ritmo, fica para trás.”

O empresário sugere que, “se queremos que os turistas saiam dos grandes hotéis para virem a Sta. Maria gastar dinheiro nos bares cabo-verdianos, nas lojas e nos nossos táxis, temos de ser imaginativos e inovadores. Precisamos que Sta. Maria possua motivos de interesse capazes de fazer com que os turistas saiam dos hotéis. Apesar do benefício das nossas praias, temos de criar mais condições para os cativar, porque durante o dia os turistas não gastam muito dinheiro. A noite torna-se mais rentável, visto que é quando as pessoas saem para jantar. Se criarmos condições para que, pelo menos das 18h até à meia-noite existam bares com música, restaurantes e cafés, vamos atrair muitos mais turistas a Sta. Maria e toda a gente vai ganhar”.

Patone LoboPatone Lobo está convencido que o turismo balnear vai ser sempre a base do turismo em Cabo Verde, no entanto, acredita que “as ilhas de Sto. Antão, do Fogo e de São Vicente, têm muitas potencialidades: apenas precisam que se invista mais, para serem atrativas aos turistas. O mais difícil é encontrar pessoas que estejam interessadas em investir, mas, mais tarde ou mais cedo, tal vai acabar por acontecer, especialmente em São Vicente, com a presença de um turismo mais luxuoso. No entanto, também é verdade que com todas as alterações nas taxas de IVA e com os aumentos que pretendem introduzir nos vistos de entrada no país, Cabo Verde corre o risco de se tornar menos competitivo, por isso, é preciso ter cuidado, pois estas medidas, podem destruir o turismo”, alerta o empresário.

A falta de equipamentos acessórios e de projetos vocacionados para o lazer, é uma das lacunas da oferta turística nacional. Tal como refere o empresário, “há uma falta de sensibilidade para o turismo, tanto a nível governamental como do poder local. Os governantes dizem que querem um turismo de qualidade, mas para isso é preciso haver certas condições, tais como campos de golfe, casinos, bares e cafés, pois o turismo de qualidade não se encontra em hotéis com tudo incluído. Estes mega empreendimentos hoteleiros que estão a nascer nas ilhas balneares de Cabo Verde, enquadram-se apenas nas pessoas que têm filhos, que não têm muito dinheiro e que não se importam de comer todos os dias o mesmo género de comida. Para incentivar outro tipo de turistas, com mais poder de compra e que podem gastar muito mais dinheiro, é necessário investir num tipo de turismo com mais qualidade, mas que lhes proporcione experiências novas, ao nível do que de melhor há no resto do mundo”.

Aos futuros empreendedores na área da hotelaria e do turismo, Patone Lobo sugere que “procurem fazer investimentos que tenham qualidade e que introduzam componentes inovadoras”. Tal como refere, “nunca podemos estar satisfeitos com a qualidade e com o serviço neste ramo de atividade. É necessário estar constantemente melhorar, porque há sempre forma de aperfeiçoar o serviço, a qualidade, o estabelecimento e o que está ao seu redor. Para se ter um ambiente propício ao desenvolvimento do turismo de qualidade é preciso estar permanentemente atento ao que de melhor se faz no mundo, e implementá-lo com sucesso em Cabo Verde”, conclui.

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Patone Lobo

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