Mário Costa – Desportista por amor, fotógrafo por paixão.
16 Abr 2014

Mário Costa – Desportista por amor, fotógrafo por paixão.

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Mário Jorge Ramos da Costa nasceu a 30 de abril de 1970 em Sal Rei, na ilha da Boa Vista. Filho de uma família numerosa, Mário Costa cedo começou a trabalhar. Juntamente com os seus 15 irmãos, ajudava o pai, carpinteiro de profissão, e muitas vezes a mãe que era padeira. O desporto, e em particular o futebol, foi o seu primeiro amor. Chegou mesmo a representar a Seleção Cabo-verdiana de Futebol em algumas competições. Tem atualmente uma escola de formação de jovens futebolistas e dedica o resto do tempo que lhe sobra à sua mais recente paixão: a fotografia de paisagem.

 

 

É com brilho nos olhos que Mário Costa fala da sua carreira de atleta. O futebol foi o seu primeiro grande amor. Sempre que podia, fugia para a rua onde jogava com os colegas. A padaria da sua mãe e a carpintaria do seu pai deixavam-lhe pouco tempo para brincar, mas sempre que podia, muitas vezes no meio da rua, juntava-se aos amigos em disputadíssimas partidas que o iam fazendo sonhar com uma carreira no futebol profissional. A oportunidade surgiu quando, aos 12 anos de idade, foi selecionado para a equipa dos juvenis do Sport Sal-Rei Club, o clube da sua terra natal. A partir daí, empenhou-se fortemente em atingir o escalão de Seniores Federados, o que aconteceu em 1986. Tinha então apenas 16 anos.

De 1986 a 1990 jogou o campeonato regional da Boa Vista. O empenho, a garra e a determinação que colocava em cada jogada que disputava, chamou a atenção dos dirigentes do Desportivo da Praia, em Santiago. Mário Costa iniciava assim a época de 1991 ao serviço de uma das maiores equipas de futebol de Cabo Verde. A sua prestação como atleta fez com que, por diversas vezes, fosse chamado à Seleção Nacional para representar Cabo Verde em diversas provas internacionais. Terminou a sua carreira de futebolista profissional em 1999 e em 2000 criou uma escola de formação para jovens atletas. Tem nestes últimos 13 anos vindo a formar e a contribuir para o aparecimento de novos valores no futebol nacional.

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2. Terra à vista 2

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Apesar de ter dedicado a juventude ao desporto, Mário Costa nunca esqueceu uma velha paixão de infância: a fotografia. Este gosto pela fotografia começou quando as irmãs, emigradas na Itália, começaram a enviar para os seus pais as velhinhas máquinas fotográficas da Kodak e Fugi que ainda usavam um rolo em cassete. Como em Cabo Verde ninguém revelava esses negativos, o seu pai tinha que os enviar de volta para as irmãs que, tornavam a enviar as fotografias para a Boa Vista já reveladas. Era sempre com grande entusiasmo e emoção que Mário Costa aguardava a chegada daqueles pequenos quadradinhos de papel que continham fragmentos de um passado recente e que conseguiam de alguma forma aproximar e juntar tão numerosa família. Para ele, era algo de mágico, algo a experimentar. Assim, sem que o pai soubesse, começou a tirar as máquinas da gaveta onde eram cuidadosamente guardadas e iniciou-se no registo de imagens e momentos que considerava únicos. Foi descoberto quanto, mais tarde, chegaram as imagens reveladas: no meio das fotografias tiradas pelo seu pai, havia as provas inequívocas de uma paixão em crescendo. O que mais chamou a atenção do seu pai é que o motivo das fotografias, já naquele tempo, eram as paisagens surpreendentes da sua amada Boa Vista.

Corria então a época de 95-96 quando, Mário Costa, como jogador de futebol a trabalhar na Praia, sempre que ia treinar notava, com alguma curiosidade e interesse, as pessoas a fazerem fila para tirarem as obrigatórias fotografias para documentos. Era algo que o deixava intrigado pois, na Boa Vista, não existia nenhuma casa de fotografia; sempre que eram necessárias fotografias oficiais, as pessoas tinham que se deslocar até ao Sal, o que era um grande transtorno. Aquela oportunidade de negócio começou a consolidar-se e, após terminar o contrato com o Desportivo da Praia, Mário Costa decidiu abrir, na Boa Vista, um negócio de videoclube, papelaria e, obviamente, fotografia. No entanto, nunca imaginou ser ele a tirar as fotografias mas, no dia 15 de março de 1998 e com uma velha Nikon “totalmente manual e pesadíssima”, o inevitável aconteceu: Mário Costa começou a sua nova carreira de fotógrafo profissional.

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2.Farwest  2

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O gosto e deslumbramento que sente pela ilha da Boa Vista levaram-no a estudar e a aprofundar os seus conhecimentos de fotografia. Quando começou a registar as paisagens da ilha da Boa Vista, mesmo com todo o potencial que esta já encerrava, não havia muitas pessoas que a conhecessem profundamente. Para além de a dar a conhecer, Mário Costa sempre se preocupou, através das suas imagens, em chamar a atenção para a necessidade da sua proteção e preservação. Esta sua constante preocupação naturalista “obrigou-o” a iniciar uma longa e extensa recolha de imagens e a partilhar os recantos que ia conhecendo com pessoas que fazia gosto que o acompanhassem. Começou a alugar carros e a convidar amigos e conhecidos a apreciarem zonas que, outrora, apenas os pastores e pescadores locais conheciam.

Entre 2000 e 2005 percorreu a pé praticamente toda a ilha. Recolheu um espólio de imagens valiosíssimo e que, em muito, têm contribuído para dar a conhecer ao mundo as belezas naturais e singulares da ilha da Boa Vista.

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3.Riqueza de nôs terra 2

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Quando já tinha um número considerável de fotografias, a DGA (Direção Geral do Ambiente) lançou o Primeiro Concurso Nacional de Fotografia subordinado ao tema “o meu meio ambiente”. Para Mário Costa, esta era uma oportunidade ímpar de entrar no concurso, tanto para mais na vertente ambientalista, tema que sempre o tocou. Contudo, não se achava ainda com qualidade suficiente para participar no certame ao lado de grandes fotógrafos da Praia e do Sal e cujos nomes ouvia desde criança. Descartou a ideia e nunca mais se lembrou do concurso. A surpresa foi total quando, uns tempos mais tarde, recebeu um telefonema a comunicarem-lhe que tinha vencido o concurso. Pensou que se tinham enganado, até que, incrédulo, veio a saber que alguns amigos próximos tinham enviado algumas das suas imagens e o tinham inscrito. Ganhou, em 2006, o concurso da DGA no tema “Ano Internacional da Desertificação e Dia dos Desertos”. Como prémio, teve direito a expor algumas das suas fotografias no Centro Cultural Francês e a integrar uma visita ao Parque Natural de Monte Gordo, na Ilha de São Nicolau. A exposição foi um enorme sucesso e despertou nos visitantes grande interesse em conhecer a Boa Vista, as suas gentes e tradições, e as suas paisagens únicas e encantadoras. Abriu-lhe ainda as portas para expor mais quatro vezes. Portugal e Brasil foram dois dos países que receberam a sua série intitulada “Paisagens” e que culminou com uma mostra retrospetiva em São Vicente, no ano de 2010. Fez ainda parte de uma exibição fotográfica de Cabo Verde ocorrida na Expo 2010 em Xangai e prepara-se agora para expor no Senegal e nas Canárias.

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4.acrìlico 2

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Mário Costa é um homem que vive intensamente as belezas naturais da sua amada Boa Vista. Com uma sensibilidade nata, procura em cada enquadramento, em cada fotograma, transmitir aos outros um pouco dessa beleza e que, com o seu olhar atento e perscrutador consegue isolar. As suas imagens transportam-nos para o coração e para a essência da magnífica ilha da Boa Vista. Fotografias intemporais que para sempre ficarão registadas como fragmentos de um Cabo Verde natural, sincero e arrebatador.

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