Lizandra Varela e Wânia Monteiro – Resgatar a ginástica rítmica nacional
30 Jul 2013

Lizandra Varela e Wânia Monteiro – Resgatar a ginástica rítmica nacional

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Constituir a Federação Cabo-verdiana de Ginástica e impulsionar a modalidade a nível nacional são os grandes objetivos de Lizandra Varela, tricampeã nacional e atual presidente da Comissão Nacional de Ginástica de Cabo Verde, e de Wânia Monteiro, ex-atleta olímpica e membro da direção da recém empossada Comissão Nacional de Ginástica. Esta nova Comissão pretende, a médio prazo, voltar a colocar a ginástica rítmica cabo-verdiana no patamar mais elevado do desporto mundial.
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Maria Lizandra Varela conhece bem a ginástica rítmica nacional. Entre 1988 e 1995 consagrou-se três vezes campeã nacional e representou Cabo Verde em campeonatos internacionais de ginástica. Também Wânia Monteiro, atleta olímpica nacional, vencedora de inúmeras medalhas em competições internacionais um pouco por todo o mundo e digna representante de Cabo Verde nos Jogos Olímpicos de Atenas e de Beijing, é uma profunda conhecedora da realidade da ginástica nacional. Atentas à letargia que se estava a instalar na prática da modalidade, resolveram assumir a liderança da Comissão Nacional de Ginástica (CNG). Lizandra Varela é atualmente a presidente da CNG e Wânia Monteiro a secretária-geral. Da recém empossada Comissão, fazem ainda parte Liliana Silva (vice-presidente), Zelita Barbosa (tesoureira) e as vogais Elena Atmacheva, Marlice Gonçalves e Jennifer Ramos.

A ministra da Educação e Desporto, Fernanda Marques, desafiou esta nova comissão a dar continuidade aos bons resultados que a ginástica rítmica nacional tem alcançado e a avançar para o equilíbrio do género.

Para Lizandra Vareva, o grande desafio que se avizinha é o da criação da Federação Nacional de Ginástica, que é um objetivo prioritário da atual direção. Tal como refere a presidente da CNG, “nunca se chegou a constituir uma Federação uma vez que em Cabo Verde a lei apenas possibilita a existência de federações quando existirem, no mínimo, três associações. Na ginástica rítmica, existem atualmente apenas as associações da Praia e de São Vicente, o que impede a constituição da Federação.” Apesar de já terem existido delegações no Sal e na Assomada, nunca chegaram a desenvolver a atividade, pelo que a criação de mais uma associação é fundamental para os objetivos da CNG.

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Ginástica Cabo Verde

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A ginástica está subdividida em várias disciplinas: ginástica rítmica (a que está a ser desenvolvida há mais tempo pela CNG), a aeróbica e a de fitness. Além destas três modalidades, existe ainda a ginástica artística, de trampolins e acrobática que, no entanto, não estão a ser trabalhadas por parte da Comissão Nacional de Ginástica. Conforme salienta Wânia Monteiro, “uma das condicionantes ao desenvolvimento da ginástica em Cabo Verde é a falta de infraestruturas. Os locais para a prática da ginástica têm que ser cobertos e precisam de ter altura suficiente para a prática de alguns exercícios, o que faz com que, no nosso páis, espaços com estas características sejam difíceis de encontrar, levando a que os clubes se desinteressem pela implementação e desenvolvimento da modalidade.”

Atualmente, em Cabo Verde existem quatro escalões de formação. Existe a categoria de minis, que vai dos 7 aos 9 anos, a categoria de esperanças, que contempla praticantes dos 10 aos 12 anos, os júniores, com atletas dos 13 aos 15 anos e a partir dos 16 anos de idade, a categoria de sénior. Estes atletas competem ao nível nacional através de provas organizadas pelas associações, quer em São Vicente, quer na Praia. A nível nacional, realiza-se ainda o Campeonato Nacional de Ginástica onde apenas as três melhores ginastas de cada associação, em cada uma das categorias, participam. Este regulamento é uma novidade, pois restringe o número de atletas em competição, no entanto, conforme diz Wânia Monteiro, “por condicionalismos orçamentais, nomeadamente no que diz respeito ao alojamento, alimentação e deslocação dos atletas durante a realização das provas, optou-se por este modelo de participação. Lizandra Varela, acrescenta ainda que, “o facto de os atletas escolhidos ser baseado nas três melhores notas alcançadas, não reduz a base de escolha da própria Comissão, pois constatou-se que o critério utilizado anteriormente não motivava os ginastas a trabalhar mais, muito pelo contrário. Como todos tinham o direito a participar nos campeonatos e a ganhar os respetivos diplomas, fazia com que muitos deles não se esforçassem na medida das suas capacidades”, e acrescenta que, “apesar de se promover o desporto, não se promovia a qualidade do mesmo, o que fazia com que o grau de competitividade dos nossos atletas ficasse aquém das suas reais capacidades”, afirma a presidente.

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Ginástica Cabo Verde

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A CNG, além do Campeonato Nacional de Ginástica, organiza ainda a Taça de Cabo Verde, que normalmente se realiza nos anos que antecedem o Campeonato de África. Este campeonato era realizado de dois em dois anos, no entanto, foi recentemente deliberado que a sua realização iria passar a ser feita anualmente, exceto no ano dos Jogos Olímpicos, o que faz com que a CNG tenha que rever o critério da realização da Taça de Cabo Verde de Ginástica. Ao nível das associações, internacionalizou-se recentemente o torneio “Patinho Feio”, que é uma competição da Associação de Ginástica de Praia e que, este ano, pela primeira vez, contou com a presença de atletas de Angola. O torneiro “Patinho Feio” é uma competição que se realiza já há mais de 20 anos. O nome do torneiro é uma alusão ao conto do “Patinho Feio”, onde o patinho se torna cisne. Como é uma competição para os mais jovens, muitos deles ainda têm grandes limitações técnicas, daí serem os “patinhos feios”, cujo grande objetivo a sua transformação belos “cisnes” da ginástica nacional. Conforme diz Wânia Monteiro, “apesar de ser organizado há mais de vinte anos, foi a primeira vez que o torneio contou com a presença de uma seleção internacional. Para esta primeira edição internacional convidou-se apenas Angola, no entanto, para as edições futuras, e fruto da experiência alcançada com a organização desta edição, contamos poder ter presentes mais países, nomeadamente o Egito e o Senegal, que já se mostraram interessados em participar.”

Em São Vicente, a Associação local tem igualmente um torneio semelhante, que promove a prática da modalidade junto das categorias mais jovens.

Para o incentivo ao desenvolvimento e divulgação da ginástica rítmica, o Plano Estratégico da Comissão Nacional de Ginástica para os próximos anos passa pela formação do maior número possível de técnicos capazes de desenvolver a modalidade ao nível dos clubes. Tal como diz a presidente da CNG, “também ao nível das associações são necessários mais monitores, com mais grupos de trabalho formados, pois só assim conseguiremos aperfeiçoar a qualidade dos nossos atletas e impulsionar um maior número de praticantes. Atualmente, não existem muitas pessoas formadas e capacitadas para darem aulas de ginástica o que se torna um impedimento para o desenvolvimento da modalidade no nosso país. Contamos apenas com menos de dez pessoas capazes de formar novos atletas, revelando-se este número insuficiente para as aspirações futuras da CNG.”

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Ginástica Cabo Verde

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Para Wânia Monteiro, ex-atleta e atual treinadora, “apesar do enorme trabalho que os formadores em Cabo Verde desenvolvem, como têm muitas turmas e em várias modalidades, não conseguem dedicar-se em exclusivo à formação e treinamento de um grupo específico de atletas para as competições, o que acaba por limitar um pouco a nossa capacidade de competir em muitos eventos internacionais, quer na Europa, quer mesmo em África, onde o grau e a qualidade técnica dos atletas participantes é já muito elevada.  Esses grupos específicos serão fundamentais para as nossas participações em provas internacionais.”

São muitos os desafios futuros para a ginástica rítmica nacional, no entanto, com a coragem, trabalho e dedicação que promete a nova Comissão Nacional de Ginástica, Cabo Verde poderá assistir ao renascimento da modalidade e tornar a ter a esperança de resgatar os feitos noutros tempos alcançados pela ginástica de competição.

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Ginástica

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