Fábrica de Queijo do Cachaço — Criar valor acrescentado aos produtos tradicionais da Brava
09 Ago 2016

Fábrica de Queijo do Cachaço — Criar valor acrescentado aos produtos tradicionais da Brava

Na localidade de Cachaço, no coração da Ilha Brava, localiza-se um projeto inovador que tem contribuído significativamente para a melhoria das condições de vida de uma parte da população daquela povoação. Situada a seis quilómetros da cidade de Nova Sintra, a Fábrica de Queijo do Cachaço é fruto de uma parceria entre a Associação do Cachaço e o Governo de Cabo Verde que, através do Programa de Luta Contra a Pobreza, financiou a construção e os equipamentos desta unidade produtiva. A Fábrica de Queijo do Cachaço é, atualmente, um caso de sucesso do empreendedorismo bravense.

 

Fábrica de Queijo do Cachaço

 

A pastorícia e a criação de animais, principalmente de gado caprino, são as atividades principais da localidade de Cachaço, na Ilha Brava. Trazer valor acrescentando a este setor económico motivou a sua população a unir-se na criação de uma pequena unidade industrial, capaz de transformar o leite que aqui se produz em queijos que são comercializados na Brava, no Fogo e em Santiago. A tradição queijeira da Ilha Brava vem de longa data, contudo, a sua produção sempre foi artesanal e apenas para consumo das famílias que o produziam. Foi precisamente a pensar nesta tradição e no saber dos mais antigos que a Associação do Cachaço, aproveitando o Programa de Luta Contra a Pobreza, identificou como potencial económico a criação desta unidade industrial.

Criada em 2003, a Fábrica de Queijo do Cachaço conta, atualmente, com sete funcionárias, seis das quais chefe de família. Tal como diz Domingas Gonçalves, representante das trabalhadoras da fábrica, “esta pequena unidade de produção, na altura em que há mais leite, consegue apoiar, direta e indiretamente, quase 50 por cento da população do Cachaço.”

Fábrica de Queijo do Cachaço

A sazonalidade da produção é um dos constrangimentos que esta unidade produtiva enfrenta. Na época onde há menos pastos, devido à escassez de chuva, os pastores tendem a entregar menos leite na fábrica, o que faz com que a produção diminua drasticamente obrigando as funcionárias a terem que procurar outras formas de rendimento complementar. Em época de abundância de pasto, chegam à fábrica uma média diária de 150 litros de leite, provenientes de 19 pastores da região. Este leite permite a produção de 170 queijos diários.

Para ultrapassar as limitações com a falta de matéria-prima que todos os anos enfrentam, a Associação do Cachaço pretende reforçar os rebanhos dos criadores da região com raças caprinas melhoradas, assim como construir mais currais perto da zona de produção. Conforme explica Domingas Gonçalves, “os pastores costumam fazer a criação dos seus animais sem controlo programado sobre a sua reprodução. Ora, como os animais se cruzam ao mesmo tempo, acabam por parir todos na mesma altura, o que faz com que o leite necessário para alimentar as crias também seja todo consumido nos mesmos períodos do ano. Quando esta época coincide com a falta de pastos, onde por norma já há menos leite, a fábrica tem de suspender a sua atividade. O objetivo da Associação é separar um grupo de cabras que irá fazer o cruzamento numa época do ano e deixar outro grupo para fazer o cruzamento noutra época. Desta forma, asseguramos leite durante todo o ano, evitando quebras na nossa produção.”

Fábrica de Queijo do Cachaço

O mercado interno da Brava representa uma grande fatia do seu consumo, no entanto, a Associação já consegue colocar, com sucesso, este produto no Fogo e em Santiago, em especial na cidade da Praia. A intenção é, a curto prazo, expandir a sua distribuição para os mercados do Sal e da Boa Vista. Para tal, tem apostado na qualidade do produto, na sua embalagem e na apresentação final do mesmo.

Cada queijo aqui produzido é comercializado a 75 escudos, o que, segundo a representante das trabalhadoras da fábrica, “depois de deduzidos os custos da matéria-prima e os demais custos de produção nos deixam com uma margem bastante reduzida, no entanto, apesar de os lucros serem muito baixos sentimo-nos felizes pois podemos contribuir para o bem-estar da nossa comunidade”.

A Associação do Cachaço, além da fábrica de queijo, desenvolve ainda outros projetos sociais, nomeadamente ao nível do financiamento dos custos escolares dos mais jovens, ajuda na aquisição de medicamentos para os mais idosos, constrói mecanismos de retenção e transporte de água, habitação social, casas de banho nas habitações mais antigas e ligação de luz elétrica. Na área da pecuária, colabora ainda na construção de novos currais e tem projetos de criação de outras espécies animais, tais como porcos e galináceos. Todas estas atividades acabam por melhorar substancialmente as condições de vida da população de Cachaço.

Fábrica de Queijo do Cachaço

O sucesso alcançado com a unidade de produção de queijo do Cachaço, levou já o Ministério do Desenvolvimento Rural a replicá-lo em Campo Baixo, uma outra zona da Ilha Brava. Quando esta nova fábrica entrar em funcionamento beneficiará os criadores de gado da freguesia de Nossa Senhora do Monte e toda a sua população e contribuirá para o efetivo desenvolvimento da Ilha Brava.


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