Bana – Uma vida a dignificar a morna de Cabo Verde
30 Nov 2013

Bana – Uma vida a dignificar a morna de Cabo Verde

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Começou a aprender com o mestre. B.Léza, além de seu tutor, serviu-lhe igualmente de inspiração. A forma peculiar de cantar, arrastando as sílabas e atravessando os tempos musicais, foi em tudo moldada a partir dos ensinamentos de B.Léza. Esta forma particular de interpretação não reunia o consenso da generalidade das pessoas, o que, naqueles primeiros tempos, ajudou a ampliar a aura criada em torno da sua figura artística. Esta sua forma peculiar e pessoal de interpretação foi, sem dúvida, a chave para o seu enorme sucesso.

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Gravou o seu primeiro disco em 1967, um 45 RPM que rapidamente se tornou um sucesso de vendas, quer pela qualidade técnica, quer pelo nível artístico nele registado. Adriano Gonçalves, ou Bana, cedo se apercebeu das suas capacidades vocais, o que, aliadas à sua forma especial de interpretação lhe conferiram imediato reconhecimento desde o início da sua carreira.

Natural de São Vicente, Bana cresceu lutando contra as adversidades que, na década de trinta do século XX, assolavam o arquipélago. Para enganar as constantes dificuldades, Bana acompanhava os tocadores e cantores de um São Vicente pobre e cheio de dificuldades. Os mais velhos, tais como Lela Marinha, Marcelo, Tchuff e Djindja de nha Amédia, iam dando lugar aos mais novos, como Amândio Cabral, Caduca, Pirra, Abílio Duarte e Titina que, com os seus violões e vozes melodiosas, enchiam o pequeno Bana de alegria. Desde tenra idade que manifestou a sua vocação para o canto, chegando mesmo a atuar regularmente ao lado dos melhores músicos cabo-verdianos da época.

Bana tinha então vinte anos de idade, e via-se confrontado, contra a sua vontade, com o serviço militar obrigatório. Decorria o ano de 1952 quando o inspetor Aníbal Lopes da Silva, no final do exame médico, lhe perguntou se estava verdadeiramente interessado em ingressar na vida militar. Por saber que Bana não estava de todo interessado, o médico acabou por pedir ao responsável pela gravação de programas na Rádio Clube do Mindelo para o chamar a interpretar algumas mornas. Foi a primeira vez que atuou para um público que não apenas os seus amigos.

Na rua do Matadouro Velho vivia à época o ilustre cantor e compositor B.Léza. Bana há muito que ouvia falar dele e conhece-lo tornava-se cada vez mais o seu objetivo naqueles dias no Mindelo. Demasiado envergonhado, Bana passava horas à janela da casa de B.Léza assistindo ao pagode que por ali reinava, escutando as músicas que se criavam e recriavam. Ouvir o som saído do violão do mestre, fazia com que Bana estremecesse. Na noite que o conheceu, B.Léza estava com Tchuff, ambos cantando e tocando mornas recém-compostas. Tchuff, reparando no rapaz, pediu-lhe que fosse comprar aguardente no Botequim do Manquinho, na esquina da rua do Matadouro Velho. Foi a sua grande oportunidade para finalmente se apresentar ao grande Xavier da Cruz. Tchuff fez as honras e apresentou Bana como um dos que gostava de cantar e de estar onde estivesse boa música.

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Bana

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Naquela época, já o estado de saúde de B.Léza se encontrava bastante degradado. A sua mobilidade era reduzida e a sua voz já não tinha a pujança de outros tempos. Para conseguir interpretar a música que escrevia, em vez de cantar, B.Léza limitava-se agora a assobiar. Compunha sentado na cama, onde se sentia mais confortável. Bana, que entretanto tinha ganho a sua confiança, sentava-se junto dele e lançava umas notas, demonstrando que era capaz de interpretar o que o mestre compunha. A sua voz melodiosa e a forma particular de cantar acabou por despertar o interesse de B.Léza, o qual acabou por lhe ensinar as suas novas composições. Devido às suas limitações motoras, Bana costumava carregar B.Léza em braços, sempre que este era convidado para tocar na Rádio Clube do Mindelo e, a partir de certa altura, a vida de Bana era a vida de B.Léza.

Bana torna-se assim conhecido em todo o Mindelo, acabando por atuar em todos os locais onde houvesse boa música para escutar. Ficaram famosas as suas participações no campo da Ribeira de S. Julião onde, com a sua estatura fora do comum – alto, espadaúdo e sempre com um sorriso nos lábios – dava vida às festas de Son Jôn. Faz furor nas serenatas e nas tocatinas, acabando mesmo por ser figura de cartaz de vários espetáculos realizados na famosa sala Eden Park.

Corria o ano de 1961 quando, integrados nas comemorações dos quinhentos anos da morte do Infante D. Henrique, dois jovens da metrópole, Manuel Alegre e Assis Pacheco, encontram-se casualmente à porta do Liceu Gil Eanes com Bana, Eduardo, Amândio, Malaquias, Valdemar Lopes de Silva e outros que, àquela hora da noite, desfrutavam do companheirismo entre amigos, cantarolando e gracejando entre eles. Bana foi o primeiro, interpretando com a sua voz cavada e ressonante as primeiras estrofes de uma morna. Os dois jovens visitantes, surpreendidos pela voz e por brilhante interpretação, acabaram por se sentar no chão, ouvindo o resto das interpretações. As canções continuaram de boca em boca e Bana acabaria por cantar, do princípio ao fim, três ou quatro mornas. A partir daquelas músicas magistralmente interpretadas naquela noite ventosa, a sua vida mudaria para sempre.

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Após longos e merecidos elogios, Manuel Alegre e Assis Pacheco, profundamente impressionados com o talento do cantor, pedem que Bana os acompanhesse no resto da sua estadia no Mindelo. A sua primeira atuação integrado no “grupo dos estudantes” foi num recital de poesia. Seguiu-se o Eden Park, a emblemática casa de espetáculos de São Vicente, e o Grémio, famoso por se reservar ao direito de admitir apenas os da alta sociedade mindelense. Até à partida dos ilustres estudantes de Coimbra, Bana seria cabeça de cartaz em todas as suas folias, fosse nas tocatinas ou nas serenatas noturnas.

Poucos dias faltavam para o grupo de estudantes regressar a Portugal e já várias pessoas lançavam o desafio a Bana de se juntar a eles e fazer carreira na metrópole. Bana ria-se da proposta, pois nunca tal lhe tinha passado pela cabeça. No fundo, não se sentia preparado.

Esses dias significaram muito para a sua vida. Só a partir desse momento Bana percebeu que tinha futuro e que a sua vida podia dar uma reviravolta. Até essa altura decorrera um comprido período de jornadas como estivador, em trabalhos sazonais que jamais permitiram qualquer tipo de estabilidade financeira, numa época em que o arquipélago atravessava mais uma grave crise económica transversal a toda a sociedade.

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Bana

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Há já algum tempo que Bana sentia que Cabo Verde era demasiado pequeno para as suas aspirações artísticas. Sem família na ilha ou irmãos emigrados, Bana sentiu com pesar a perda irreparável do seu amigo B.Léza, a qual o deixava sem motivos para continuar agarrado à vida de São Vicente. Falou com o seu amigo Herculano Vieira, reconhecido músico e mais tarde arrojado combatente pela independência nacional nas selvas da Guiné, o qual concordou em o embarcar no navio Neptuno. Escondido no convés, sem documentação que o acreditasse, Bana partiu rumo ao Senegal, fugindo de um passado que o aprisionava. Para trás ficava agora o Monte Cara, que o acompanhou durante a infância e juventude. Para além do horizonte, Dakar, o futuro e, caso o destino corresse de feição, a vida de artista.

Em Dakar ficou em casa do seu compadre Vicente Becona, que ganhava a vida como pintor da construção civil. Bana quis imediatamente imitá-lo, mas Becona o desencorajou, incentivando-o a cantar, pois era no palco que Bana brilhava.

Fruto das saudades dos amigos e da terra onde sempre viveu, os primeiros tempos em Dakar seriam amargos, contudo, após algumas semanas, foi-lhe apresentado Marciano Rodrigues, que lhe possibilitou entrar na Rádio Senegal, a princípio apenas ajudando em algumas tarefas, posteriormente organizando espetáculos. A pedido de Nuna, um empreendedor cabo-verdiano emigrado em Dakar, Bana ficou responsável pala gestão do seu mais recente negócio: uma discoteca. Este trabalho permitir-lhe-ia aliviar as dificuldades económicas com que, até àquela época, sempre o tinham acompanhado.

Por essa altura, Bana e o seu amigo de juventude Luís Morais, que também já se encontrava emigrado em Dakar, juntos com Eduardo Silva, Amburtu e Toy de Bibia, todos vindos de Cabo Verde, começam a atuar em conjunto aos sábados de manhã e aos domingos à tarde no Teatre du Palais. Para completar o grupo, Bana manda vir da Guiné o amigo e músico Morgadinho.

Dois meses após a sua chegada a Dakar, o grupo de estudantes de Coimbra aos quais tão bons momentos Bana tinha proporcionado, reclamava, através de uma carta enviada ao Dr. Aníbal Lopes da Silva, diretor da Rádio de São Vicente, a presença do cantor em Portugal para, com eles, festejar a Queima das Fitas em Lisboa. Este foi o seu primeiro convite para atuar na Europa. O Dr. Aníbal Lopes da Silva reenviou o convite para Dakar, o qual chegou às mãos do secretário do Embaixador de Portugal no Senegal. Após uma série de mal entendidos, este acabou por entregar a carta a Amândio Cabral que, por sua vez a entregou a Eduardo Silva e companheiros, os quais tratam de organizar a viagem, equivocados quanto ao verdadeiro destinatário do convite. Bana só viria a aperceber-se deste mal-entendido quando recebeu uma carta de felicitações do Dr. Aníbal Lopes da Silva pela conquista alcançada. Ficava assim adiada a sua estreia na Europa.

Bana

O arrojado Nuna, sempre cheio de ideias, inaugura a boîte Salume e, uma vez mais, propõe a Bana a gerência da casa com direito a atuar na matiné de domingo, cantando as suas mornas e convidando os seus amigos para o acompanharem. Ficaram assim reunidas as condições para Bana se lançar no seu sonho de infância: gravar o seu primeiro disco. Sem vaidade, batiza-o de Bana. Luís Morais, o seu inseparável companheiro por terras do Senegal, avança com a ideia de irem para a Holanda, onde poderiam gravar mais álbuns. Surge então na vida de Bana o consagrado músico cabo-verdiano Frank Cavaquinho que vivia em Roterdão e que encorajou imediatamente o grupo à perseguição do seu sonho.

Com o primeiro disco lançado, Bana parte rumo à Holanda de confiança redobrada. Juntamente com Luís Morais, Toy e João Lomba, o grupo conseguiu sobreviver aos primeiros meses com grandes dificuldades, contudo, gradualmente foram conseguindo arranjar algumas atuações, o que lhes permitia angariarem algum sustento. No entanto, as rígidas leis do país, obrigavam-nos a ter que possuir um contrato de trabalho. A sorte foi alcançada quando conseguiram emprego numa fábrica de café. Tinham assim a segurança de poderem atuar todos os fins de semana.

Nos estúdios da Phillips e para a etiqueta Morabeza, acompanhado com a banda A Voz de Cabo Verde, Bana gravou mais dois discos que se tornaram um êxito: Nha Terra e Pensamento e Segredo. Bana representava a consolidação do espírito do cabo-verdiano, que abandona a sua terra, mas que nunca a esquece. Pelas ilhas de Cabo Verde, por toda a imensa diáspora de cabo-verdianos saudosos da pátria, estes seus dois discos tornam-se uma homenagem a todo um povo. E esse povo soube agracia-lo.

Ainda na Holanda, já sem A Voz de Cabo Verde, Bana gravou o emblemático disco Bana à Paris, trabalho que acabou por produzir em França e que teve grande aceitação na sua já longa legião de admiradores.

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Bana

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O sucesso começou a catapultar novas oportunidades, entre as quais cantar no continente Norte-Americano. A digressão durou oito meses durante os quais Bana cantou em bares de Jazz e em todas as comunidades de emigrantes cabo-verdianos espalhadas nos Estados Unidos da América, de Boston a New York, com passagens por Providence, Brooklyn e New Jersey. Nessa grande viagem, conheceu o seu primeiro amor, Antonieta, secretária do governador de Boston e filha única de um bem-sucedido latifundiário com raízes cabo-verdianas. Com ela frequentou os melhores restaurantes, as melhores casas de espetáculos. Rapidamente se apercebeu que as expectativas em torno dos dois iam aumentando ao ponto de provavelmente não lhes conseguir corresponder. Tinha ainda muito mundo pela frente e muitas conquistas por concretizar. Achou por bem colocar um ponto final na relação, apesar de a amar e de nunca a ter esquecido.

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A sua ida para Dakar e depois para a Holanda marcaram de forma significativa a sua carreira artística. É a partir deste país que Bana ajudou a fundar o grupo A Voz de Cabo Verde, no entanto, não chegou a integrar o conjunto, que foi essencialmente o seu suporte musical para a gravação dos seus primeiro discos. Foi desta relação musical que surgiu o seu primeiro LP Nha Terra ao qual se seguiram mais de uma dezena. É por esta altura que Bana atingiu o auge da sua carreira, com digressões a Angola, Guiné Bissau e aos Estados Unidos da América, onde representou magistralmente a música tradicional de Cabo Verde.

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Bana

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Chega a Portugal em 1967. O objetivo era gravar discos por conta própria. A primeira editora que contactou, a Valentim de Carvalho, não foi recetiva o que suscitou em Bana um sentimento de revolta e mágoa. Esta sua primeira estadia em Portugal duraria pouco tempo e regressou a Cabo Verde para o seu primeiro grande espetáculo em São Vicente. Para Bana era o início de uma nova etapa de vida. Voltava à terra consciente de querer ficar. Passou a dar concertos também na Praia, com as plateias sempre cheias e grande reconhecimento pelo seu incontestável valor artístico.

Comprou o trespasse de uma lavandaria e montou a Casa de Bana, uma loja de discos no coração do Mindelo. Viajava frequentemente para Lisboa para comprar os discos que seriam revendidos na sua loja. Mais tarde dedicou-se à exploração do Hotel 5 de Julho. No entanto, esta sua primeira experiência como empresário não se revelou a mais frutífera, uma vez que acumulou dívidas que o incapacitaram de continuar a investir.

Maria da Luz, irmã de Bana e a única familiar chegada ainda a residir em São Vicente, era muito amiga de Aquilina, uma rapariga bonita que não deixava ninguém indiferente à sua passagem. As duas costumavam organizar bailes ao som de gramofones ou animados por um piano ou violinos. Nessa época Bana vivia no Senegal. Do irmão de Maria da Luz, Aquilina apenas sabia que vivia fora e que as suas músicas passavam frequentemente na rádio. Certo dia, sem que ela o adivinhasse, fica frente a frente com Bana que, entretanto, tinha vindo a Cabo Verde aproveitando a ocasião para visitar a irmã. A presença daquele homem despertou-lhe os sentidos. Bana também não ficou indiferente. Combinaram dar um passeio pela pracinha. Apaixonaram-se. O namoro presencial entre ambos foi curto, pois Bana regressou pouco tempo depois a Portugal onde ficaria mais de seis meses. Aquilina contentava-se ouvindo vezes sem conta o disco Nha Terra, contando os dias para voltar a estar nos braços do seu amado. O ritual do regresso e da partida repetir-se-ia por mais dois anos. Em novembro de 1972, estava Bana a preparar mais uma digressão à Guiné, Angola e São Tomé, quando se abeirou de Aquilina e a pediu em casamento. Tinham passado dois anos desde que se conheceram. Como padrinhos tiveram A Voz de Cabo Verde e, ao contrário das suas intensões iniciais, o povo encheu o casamento no Alto de S. Nicolau. Aquilina seria para sempre a sua eterna companheira.

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Em inícios da década de setenta, Bana fixa residência em Lisboa onde abre o mítico restaurante bar “Monte Cara” na Rua do Sol ao Rato e que, durante décadas, foi considerado como um santuário da música cabo-verdiana em Portugal. No início funcionava sem grande movimento, pois anteriormente as instalações tinham sido utilizadas como residência de homossexuais, o que, fruto dos preconceitos da época, fazia com que o negócio não arrancasse. Certo dia, a sorte mudou quando o famoso jornalista português Joaquim Letria, depois de se ter deliciado com um fabuloso jantar, decidiu fazer a festa de despedida do filho, que iria estudar para o estrangeiro, no Monte Cara. Convidou todas as pessoas do Conselho da Revolução, todos os seus amigos jornalistas e inclusive o Presidente da República, General Ramalho Eanes, e a primeira-dama, Drª. Manuela Eanes. No dia seguinte, os jornais não falavam de outra coisa senão no Monte Cara como o primeiro grande clube de música cabo-verdiana ao vivo da Capital. O estabelecimento acabou por entrar no circuito cultural, onde além da boa comida, eram servidas as últimas novidades musicais que Cabo Verde via nascer. Muitos dos futuros nomes da música cabo-verdiana encontrariam no Monte Cara um porto de abrigo e um suporte em Portugal. Bana acarinhou o lançamento artístico dos novos talentos, de Cesária Évora a Fantcha. Era o local onde os emigrantes cabo-verdianos de Lisboa podiam matar saudades da sua terra.

BanaÉ a partir de Lisboa, com o apoio musical do Paulino Vieira, que Bana passa a gravar os seus novos trabalhos discográficos. Em finais de 1978 editou o LP “Cidália”, por muitos considerado como o disco que marcou a entrada na segunda fase da sua carreira: maior e melhor utilização da eletrónica e novos arranjos e orquestrações brilhantemente realizadas pelo músico e compositor Paulino Vieira. É nesta segunda fase que Bana revela todo o seu brilhantismo e capacidade artística, com interpretações honestas e brilhantes, plenas de sentimento e com as quais dignifica ainda mais a essência das mornas de Cabo Verde.

Após um interregno de quase oito anos, Bana volta aos EUA para, sob orientação musical de Ramiro Mendes, gravar e lançar o disco Gira Sol. Neste trabalho Bana experimenta outros estilos, conferindo-lhe uma certa modernidade e atualidade. Posteriormente, juntou-se ao jovem Kim Alves, prodigioso músico e produtor cabo-verdiano, e gravou o álbum Livro Infinito.

Anunciou vários espetáculos como sendo “o último”, mas voltou sempre, enquanto a voz lhe permitiu. Em janeiro de 1992 a Aula Magna, em Lisboa, encheu-se em sua homenagem, com uma plêiade notável de cantores. E no final dos anos 90, esteve em concerto no Coliseu de Lisboa, espetáculo lançado de seguida em CD duplo. Em 2007 ainda gravou um outro trabalho, Bana e Amigos, lançado em CD e DVD.

Atuou em Cabo Verde, Estados Unidos da América, Portugal, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Angola, Senegal, Holanda, França, Itália, Espanha, Bélgica, Luxemburgo e Alemanha. Foi homenageado pela Câmara Municipal de São Vicente e condecorado pelo Presidente da República António Mascarenhas Monteiro.

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Bana

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Um percurso de vida singular, que lhe trouxe alegrias e recompensas, mas também amargura e sofrimento por querer fazer sempre mais e muitas vezes não ter quem o acompanhasse no sonho de divulgar, pelos quatro cantos do mundo, a cultura e a tradição da sua amada terra.

A vida de Bana confunde-se com as letras das suas mornas. Bana partiu aos oitenta e um anos. Foi descansar de uma vida plena de realizações, compensado de todo o seu sacrifício, esforço, coragem e determinação. Por todos e para sempre será recordado com estima e admiração. Para sempre será reconhecido como Bana: O Rei da Morna.


Nós Genti