André Brito – As novas gerações e as perspectivas futuras
30 Set 2012

André Brito – As novas gerações e as perspectivas futuras

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Como jovem estudante cabo-verdiano, André Brito orgulha-se do clima de paz e estabilidade que prospera em Cabo Verde e o leva a sonhar com o futuro do seu país, apesar de todos os desafios que os cabo-verdianos enfrentam. Refere-se a Cabo Verde como “ouro sobre o azul do mar, apesar de não ter ouro nem petróleo”. A riqueza que possui está, segundo André Brito, “na intelectualidade das pessoas”, incitando assim todos os jovens a explorar este país.

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Andre Brito - Revista Nos Genti -Sabendo o estudante que o dia 5 de julho de 1975 marcou a independência de Cabo Verde, momento que “se afirmou no mundo como república, como nação com uma cultura muito rica”, André Brito revela que, conforme lhe confidenciou a sua mãe, “antes da independência, Cabo Verde era um país como qualquer outra colónia. Estava um pouco parado. O povo não tinha liberdade de expressão. Porém, atualmente é o oposto. Há uma enorme liberdade em todos aspetos – de expressão, economia, entre outros. O nível de vida mudou. Atualmente, Cabo Verde é um país bem estruturado e organizado”, e continua dizendo que, “antes da independência, aprendiam a história de Portugal e sabiam-na toda. No entanto, apesar de terem nascido em Cabo Verde, não sabiam a sua própria história. Hoje em dia, qualquer jovem e criança já sabe cantar o hino nacional e já conhece os heróis nacionais que lutaram por nós.” André Brito declara que “cabe-nos a nós, jovens, ser um pouco mais atrevidos e mais extrovertidos na divulgação da nossa história e cultura ímpares.”

Como jovens cidadãos que levam o país além-fronteiras, utilizam a cultura, a arte, o desporto e a música, como veículos para dar a conhecer as potencialidades de Cabo Verde. Como afirma André Brito, “o mais incrível é que, em todo o mundo, há sempre um cabo-verdiano a representar Cabo Verde, a destacar-se e a conseguir o seu espaço nas artes”.

Embora em Cabo Verde as diferenças de classe social não se evidenciem tanto quanto em outros países, um jovem pobre que venha do interior, apesar de todo o seu esforço, “tem certas limitações, até na forma de tratamento, mesmo quando chega à universidade.” Esta situação que é recorrente nos dias de hoje, não tem razão de ser, uma vez que, conforme refere, “se repararmos, os nossos ministros são pessoas que vieram de uma classe pobre e temos bons jovens cabo-verdianos com boas capacidades que precisam do apoio do governo para terem mais possibilidades de progredirem”.

Além disso, André Brito admite que, apesar dos políticos estarem a trabalhar, “ainda há grandes operações que os cabo-verdianos gostariam que acontecessem. Caso um político não esteja a cumprir o que prometeu, de certeza que o povo vai agir, porque há meios legais para isso. O povo tem voz e exige dos políticos”. Segundo o estudante, os cabo-verdianos não pedem demais do governo, nem são ambiciosos; simplesmente exigem o que está ao seu alcance e o que acreditam que o governo tem a obrigação de lhes facultar.

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1- Andre Brito - Revista Nos Genti -

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Apesar de realizarem-se inúmeras conferências e debates sobre a problemática juvenil em Cabo Verde, a crise de valores está a intensificar-se. “Os jovens querem mais bens materiais, querem ter carros de luxo, querem ter uma boa casa e isso acaba por pôr em causa os valores que sempre identificaram Cabo Verde no mundo: gente simpática e educada. Existe uma crise de valores, mas estamos a tentar resgatá-los”, e espera que daqui a 37 anos possa ver um Cabo Verde melhor, mais avançado, onde “os valores que estamos a tentar resgatar estejam mais firmes e enraizados na juventude”

Para o jovem, esta falta de valores a que se assiste na juventude atual, tem a ver com a globalização que, conforme refere, “tem o lado positivo e negativo”. Conforme explica André Brito, “os países mais ricos querem vender cada vez mais o que é deles – é o mundo do capitalismo e da economia neoliberal. E nós, que somos de países mais pobres, estamos a entrar nesse consumismo excessivo. É difícil resgatar os valores de antigamente, mas acredito que, se os libertarmos, traremos algo de novo para a pátria cabo-verdiana. Apesar de sermos um país pobre, temos orgulho na nossa pátria onde os pais, sempre passaram e continuarão a passar aos filhos, esse amor incondicional a Cabo Verde”.

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5- Andre Brito - Revista Nos Genti -

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Como jovem que é, André Brito, convive diariamente com os problemas que preocupam a juventude cabo-verdiana. André Brito gostaria que existisse um projeto estratégico para a juventude, onde “o governo esteja mais sensível e aberto ao problemas juvenis, ouvindo o que os jovens têm a dizer”, e adianta que, “há grandes projetos elaborados nas universidades que deveriam ser analisados e implementados, pois dariam um grande contributo à sociedade”. Conforme relata, “o Ministério da Cultura já começou a trabalhar nesse sentido, mas é preciso mais. Alguns jovens estão a ter reconhecimento e apoio em outros países, apoio que não encontraram aqui.”


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