Eugénio Tavares – O ilustre poeta bravense
12 Ago 2016

Eugénio Tavares – O ilustre poeta bravense

Muitos críticos vêm Eugénio Tavares como um mero compositor de mornas. Na realidade, a sua obra literária é reduzida. Não se pode nem deve esquecer, no entanto, a sua intensa atividade como jornalista e como político, lutando em prol da justiça, do fim das desigualdades sociais no arquipélago e pelo apagamento das discriminações étnicas. Mas, na sua faceta literária, ele foi um dos próceres da literatura cabo-verdiana em língua portuguesa e, simultaneamente, pugnou pelo reconhecimento do crioulo como válido instrumento de cultura. É verdade que escreveu mornas que ainda hoje são cantadas, no entanto, classificá-lo apenas como «criador de mornas» é redutor e injusto, pois significa esquecer a dimensão intelectual e humana da sua luta pela dignidade do povo de Cabo Verde, pela exaltação da beleza das suas gentes e paisagens… Eugénio Tavares criou o conceito de cabo-verdianidade e terá sido um dos primeiros escritores a sentir e a conceber o arquipélago como entidade cultural autónoma.

Eugénio de Paula Tavares nasceu na Ilha Brava, Cabo Verde, a 18 de Outubro de 1867. Filho de Eugénia Roiz Nozolini Tavares e de Francisco de Paula Tavares, o recém-nascido Eugénio foi batizado na Igreja de S. João Baptista a 5 de Novembro do mesmo ano, pelo cónego vigário Guilherme de Magalhães Menezes, sendo sua madrinha Maria Medina de Vera Cruz.

O seu pai, natural de Santarém, era um abastado proprietário que se tinha estabelecido na Guiné. Sua mulher, Eugénia Nozolini Roiz Tavares, encontrava-se grávida do seu terceiro filho e, agravada a sua saúde, resolveu regressar à casa paterna, na ilha do Fogo, em busca de melhoras. Deixou o seu filho Henrique em companhia do pai levando consigo a Henriqueta de poucos anos. Na ilha do Fogo as melhoras não foram consideráveis e seguiu para a ilha Brava aos cuidados de seu primo João José de Sena, descendente de José Pedro de Sena, capitão-môr da ilha Brava.

Nessa casa viria a nascer a 18 de Outubro de 1867 o seu terceiro filho a quem chamaram Eugénio de Paula Tavares. A infeliz mãe não sobreviveu às complicações do parto morrendo de febre púbica.

Quis assim o destino que a Brava fosse berço daquele que viria a ser um dos seus filhos mais amados de Cabo Verde, Eugénio de Paula Tavares.

Caídos na orfandade, Henriqueta ficou entregue aos cuidados da família Sena e, mais tarde, da família Ferro Nunes. A educação de Eugénio ficou a cargo de sua madrinha D. Eugénia da Vera Cruz Medina e Vasconcelos. De Francisco de Paula Tavares sabe-se ter morrido pouco tempo depois na Guiné ao serviço do Estado português. O seu filho Henrique, irmão de Eugénio, é então levado para o Reino de Portugal.

Órfão de pai e mãe, o jovem Eugénio é adotado pelo médico José Martins de Vera Cruz e sua irmã Eugénia Martins da Vera Cruz Medina e Vasconcelos. D. Eugénia viria a desempenhar extremosamente o seu papel de mãe adotiva, acompanhando-o durante toda a sua vida.

A Ilha da Brava era considerada a joia do Império Colonial Português. Foi a mais verde de todas as dez ilhas do arquipélago, e considerada uma das mais belas do mundo. Por ter sido descoberta no dia de São João Baptista, foi inicialmente chamada de Ilha de São João, contudo, por ser bastante acidentada, mudaram-lhe o nome para Brava. O seu clima é ameno e sempre fresco, com temperaturas constantes entre os 16 e os 25 graus. Os seus mares profundos recortam as suas costas formando baías de raro encanto. Vales profundos e montes elevados que, no Monte das Fontainhas, chegam a atingir os 1100 metros, tornam-na única no Oceano Atlântico.

Com a falta de chuvas que assolou a ilha do Fogo por volta de 1600, muitos casais livres procuraram refúgio na mais calma e vizinha Ilha Brava. Contudo, quando lá chegaram, depararam-se com povoados de colonos brancos que, cem anos antes se tinham estabelecido na costa noroeste da ilha.

Em fevereiro de 1845, o bispo de Cabo Verde ordenou que fosse criado um seminário-liceu com internato para de 24 alunos, sendo 12 destinados à vida eclesiástica. Determinou também que esse seminário fosse construído na Brava, no sítio denominado de Stª Barbara, e que a sua construção custaria cerca de 3 contos, sendo de 1 conto a despesa anual para sustento dos alunos.

Em Novembro de 1847, por indicação da Rainha, é também construída a Escola Principal de Cabo Verde a qual deveria habilitar rapazes que mais tarde dirigissem outras escolas a abrir.

Em fevereiro de 1857 o Governador-Geral António Maria Barreiro Arrobas preconizou um estabelecimento de instrução profissional abrindo escolas de coronheiro, espingardeiro, serralheiro e ferreiro. Pedia que abrissem aulas de pilotagem na Brava e que a escola principal anexasse o ensino comercial. Pelos meados do século XIX, sendo a Brava residência de Governadores, os seus funcionários em ambiente de beleza e cultura lecionavam disciplinas diversas por toda a ilha Brava. Funcionaram muitos gabinetes de leitura. Todo este surto de cultura encheu a ilha de intelectuais, poetas e escritores, contribuindo para a formação de Eugénio Tavares.

A formação cultural do poeta foi influenciada por grandes vultos da cultura cabo-verdiana da altura, nomeadamente Guilherme Dantas, Augusto Barreto e Maria Luísa de Sena Barcelos. Sabe-se também que o poeta teve aulas de Filosofia com José Rodrigues Aleixo, Língua Latina e Teologia com o Padre António de Sena Barcelos e outras disciplinas com António de Almeida Leite.

Ainda muito cedo, por volta dos 12 anos de idade, Eugénio inicia-se na poesia. Os seus poemas corriam de casa em casa, de mão em mão, ganhando graça e notoriedade na Ilha Brava, um meio onde a poesia era muito cultivada. Entretanto, aprendera a tocar a guitarra portuguesa e diz-se que apareceram nessa altura as primeiras composições musicais.

Aos 15 anos de idade, pelas mãos de Luís Medina e Vasconcelos, é publicado no “Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro”o seu primeiro poema. O seu talento foi enaltecido e ficou a ideia que ele devia de deixar a Brava para um meio que lhe permitisse outros voos.

O êxito obtido com a publicação do primeiro poema aconselhava-o a abandonar a Brava e busca de melhor formação. Parte assim para São Vicente, empregando-se na “Union Bazar”, uma casa comercial que representada os interesses consulares dos Estados Unidos da América. À sua chegada fica inebriado com a vida do Mindelo, que contrastava com o meio aldeão da Ilha Brava. O Mindelo era já um espaço de cultura e universalidade; uma encruzilhada de costumes e calor humano. O Porto Grande, que na altura recebia mais de cem mil passageiros por ano em trânsito para o Brasil, Argentina, África do Sul, Ásia e Europa era o centro do seu universo. O Mindelo, com sua arquitetura colonial um pouco à inglesa, espalhava-se pela Marginal em comunhão permanente com o gigantesco Monte Cara e as águas mansas da baía. A mestiçagem, já mais caldeada que na Brava, oferecia lindos tipos de mulher crioula num cruzamento de raças e de culturas sem precedentes. Era o ambiente perfeito para o jovem poeta.

Em pouco tempo domina o inglês e o francês e começa a colaborar nos periódicos locais e na Revista de Cabo Verde onde descreve as ruas de Mindelo a transbordar de estrangeiros e mostra São Vicente à imprensa da época. Assim, Eugénio viveu e amou o Mindelo, a sua segunda terra, e ficaria nesse encantamento por toda a vida, vindo, mais tarde, a pugnar pelos seus direitos e sua elevação a Cidade.

Decorridos dois anos, Eugénio Tavares quis mudar-se para Santiago e conhecer esse Cabo Verde profundo e vernáculo. Com influências de seu pai pede, em 1888, para ser colocado como Recebedor da Fazenda Pública no Concelho do Tarrafal. Segundo os seus biógrafos, essa escolha começa a definir o destino de um homem invulgar, já nessa altura enamorado pelo seu povo e interessado em conhecê-lo e até defendê-lo.

Santiago é a Ilha-Mãe de todos os cabo-verdianos. Além de ter sido a primeira a ser descoberta, é a maior do arquipélago. Nela se cruzou a cultura europeia com a africana, gerando uma raça, uma nação. A Cidade Velha ou Ribeira Grande, antiga capital, foi a primeira cidade que os portugueses criaram em África e a partir dela deram novos mundos ao mundo. Santiago, um caldeirão de cultura e tradições, manteve-se até hoje a ilha mais africana de Cabo Verde e Eugénio quis viver essa realidade indispensável à sua formação.

Como Recebedor da Fazenda Pública no Tarrafal, não lhe faltaram oportunidades para se embrenhar nos costumes e tradições da alma do povo que se radicara atrás desses montes em defesa e preservação dos seus hábitos mais sagrados. Tal como acontecia na Brava, o poeta embrenha-se no meio do povo; convive, escuta e regista os seus anseios, seus sofrimentos e injustiças diárias. Enquanto no Tarrafal, atravessa vezes sem conta essa paisagem celestial de 80 quilómetros até à Praia, fitando esses misteriosos montes e vales. Mantém permanente contacto com o povo vernáculo e de puro-sangue africano.

Mas as saudades da sua amada Brava começaram a fazer-se sentir, e Eugénio Tavares pede para ser recolocado Recebedor da Fazenda Pública na sua ilha natal. Com 22 anos, retorna à Brava, mas leva o povo de Santiago no coração. Vai preocupado com o seu abandono e marginalização. Não esquece as injustiças e cedo, na imprensa local, se lança numa luta sem tréguas pelos direitos e pela felicidade dos mais desprotegidos. Até à sua morte o Poder não teve descanso e o Povo teve um amigo em sua defesa.

De regresso à Brava, em 1890, Eugénio era já um profundo conhecedor da realidade de Cabo Verde. Feito Recebedor da Fazenda na Brava, casou-se com D. Guiomar Leça, senhora de muitas virtudes e companheira fiel para toda a vida.

Com a vida estabilizada, Eugénio ficou preparado para um futuro brilhante. Já podia sonhar, e o seu sonho era apenas um: a felicidade e o engrandecimento do povo cabo-verdiano.

O Governador Serpa Pinto chega então à Colónia e acalenta o sonho do Poeta. Depois de o conhecer, acarinha-o e estimula-o. Eugénio corresponde e a sua pena de jornalista começa a exigir justiça e moralidade para Cabo Verde.

A Morna ganha entretanto conteúdo e sonoridade. Os novos temas são O Amor, A Ilha, O Mar, a Mulher, o Emigrante, a Partida e a Saudade. A Língua Crioula dá os primeiros passos na senda da Literatura. O poeta é crioulo e a sua lira é crioula. Publica-se em crioulo. Surgem os serões de mornas, poesias e manidjas, seguidas de serenatas à moda de Coimbra. Faz-se teatro na Brava e ensina-se a cantar e a tocar. À frente de uma elite cultural nativista, com Loff de Vasconcelos e outros, ele identifica uma nova cultura em espaço português — era a Primeira Alvorada da Cabo-verdianidade; estava identificado o Homem Cabo-verdiano. Entre 1890 e 1900, Eugénio Tavares é o “Delfim” de Cabo Verde.

Entre 1850 e 1900 tinha-se formado, na ilha Brava, uma elite cultural com aderentes em todas as ilhas, sobretudo na cidade da Praia. Apontaram a aurora nativista em Cabo Verde que, passando pelos Claridosos, redundaria mais tarde no Nacionalismo conducente à Nação Cabo-verdiana. Encabeçada por Eugénio Tavares e Loff de Vasconcelos, essa escola de homens de letras tentou, através da imprensa, deixar os temas lamechas e olhar para o novo homem cabo-verdiano, sua cultura, escolaridade e alfabetização, procurando combater as injustiças. Destaque especial foi dado à crise alimentar e a fome passou a inundar os artigos da imprensa da época. Medíocres e conservadores, ameaçados nos privilégios obtidos à custa de injustiças, cedo tentaram travar este avanço e rapidamente lançaram uma campanha de difamação contra os jornalistas. Pela sua frontalidade e mordacidade, Eugénio Tavares era um dos seus alvos principais.

Para travar o avanço social, foi chamado João Cesário de Lacerda que, num segundo mandato, com mãos de ferro, viria a reprimir e a servir a causa dos conservadores descontentes. Cesário de Lacerda chama então Eugénio ao Palácio do Governo, na Cidade da Praia e, numa repreensão brutal, proíbe na imprensa referências à fome que grassava em Santiago. Era preciso apear o “Delfim” de Cabo Verde do seu pedestal de fama e glória. Inventa-se um desfalque, na Fazenda Pública, para perseguir o poeta. Eugénio não se desarma, e abre-se um conflito que, num doloroso calvário, incluiria o exílio, a prisão e uma absolvição depois de vinte anos bem penosos.

Já a noite tinha chegado à Baía da Furna quando alguns pescadores deram pela presença de um navio a atracar. Um contingente de tropas, com cerca de uma vintena de homens, desembarca em duas lanchas. Encaminharam-se para a casa de Eugénio Tavares. Sitiada a casa, constataram a sua ausência do poeta. Eugénio encontrava-se em casa dos seus compadres em Tomé Barrás, numa festa de aniversário. Aí se dirigiram e tentaram-no aprisionar, mas este, num rasgo de sapiência, trajou-se de mulher e conseguiu escapar.

A 12 de junho de 1900, na Baía de Fajã, Eugénio Tavares embarca no B.A. Brayton e ruma aos Estados Unidos da América, num doloroso exílio que lhe atormentava a alma. A viagem durou 29 penosos dias. A 11 de julho de 1900, Eugénio Tavares desembarca no porto de New Bedford.

Hospedara-se com familiares em New Bedford, no estado de Massachusetts, na Nova Inglaterra. Como não tinha preparação para certos trabalhos que ocupavam grande parte dos emigrantes, Eugénio recorreu à sua profissão de sempre, vivendo da escrita e para a escrita. Resolve fundar um jornal, o “A Alvorada” considerando que lhe traria alguns proventos. Esse jornal viria de encontro à necessidade que os emigrantes tinham de se fazer ouvir a sua voz.

Entre 1900 e 1910, o poeta, sempre na clandestinidade, regressa várias vezes à Brava. As saudades da amada esposa e o carinho que sentia pelos sobrinhos, impediam-no a correr o risco de ser feito prisioneiro. Contudo, o coração falava mais alto, e Eugénio Tavares decide sempre arriscar.

Implantada a República em Portugal, a 5 de Outubro de 1910, Eugénio regressa definitivamente a Cabo Verde. Caucionado pela fiança dos bens de seu pai, Dr. José da Vera Cruz, e de alguns comerciantes locais, feito republicano convicto, o poeta regressa para festejar a República perante os olhares de admiração e de carinho do povo de Cabo Verde.

Julgado e absolvido, Eugénio regressa em definitivo à Ilha Brava em 1922. Vive no meio do seu povo e no aconchego da família. Escreve para ganhar a vida, exerce o professorado e cultiva flores do seu jardim. Mas, é sobretudo na composição da Morna, que o poeta mais se ocupa. Também preocupado com a juventude e a falta de escolas, funda, juntamente com Hermano de Pina e um grupo de amigos, a Escola Governador Guedes Vaz e cria uma aula de ginástica com muitos aderentes.

Ao mesmo tempo, funda a Trupe Musical Bravense, com cerca de trinta elementos, músicos esses que, sem uma pauta convencional, registariam de ouvido as melodias que chegaram aos nossos dias. Ficava assim garantida a difusão das mornas através dos tempos. Eles levariam aos quatro cantos do mundo as melodias que de outra forma se iriam perder. Cada instrumento era considerado sagrado e tinha o nome de um santo. Os instrumentos eram batizados em dia de grande festa e era atribuída uma madrinha a cada um. Trinta jovens músicos, trinta madrinhas. O maestro era Eugénio e a sala a Ilha das Mornas e das Flores.

Em 1927, o Governador Guedes Vaz foi à Brava numa visita de cortesia e de desagravo a Eugénio Tavares. O Governo achou chegada a hora de apresentar ao poeta um desagravo da Província, por tanto sofrimento causado em períodos de governação anteriores. Vinha convidá-lo a viajar até à Ilha de São Vicente, para um encontro de poetas e uma homenagem nacional a Eugénio, José Lopes, Pedro Monteiro Cardoso e Januário Leite. À sua chegada a São Vicente, um grande número de admiradores e muito público aguardaram Eugénio no cais, e foi tanta a emoção que uma multidão entusiástica levou o Poeta em ombros do cais até à Câmara Municipal. A marcha triunfal foi recheada de “vivas aos nossos poetas”, elogiando os homenageados. Decorreu então uma Sessão Solene cheia de discursos eloquentes e louvores aos poetas. Da janela da casa de sua sobrinha Henriqueta Sena, onde se hospedara, Eugénio pediu uma guitarra e cantou as mais recentes mornas da sua autoria. Foi um delírio perante uma multidão que continuava rodeando o trovador.

Após a morte de seu pai adotivo, Eugénio herdou a propriedade de Aguada e para ali vai passar grande parte dos seus dias. Conforme escreve Luís Romano, conhecido escritor cabo-verdiano, “Dolorosamente ferido, Eugénio Tavares isola-se como um eremita num dos locais mais sombrios da Ilha Brava: Aguada. Aí reside esmagado entre a pressão de duas montanhas desoladas, tendo como visão livre o panorama do mar, delimitado ao longe pelo vértice dessas rochas verdadeiramente tenebrosas. Aí viveu escrevendo mornas e falando com o mar nos seus solilóquios de desamparo.”

Eugénio tem agora sessenta e dois anos de idade. Está precocemente envelhecido. Porém, a sua alma mantém-se jovem e apaixonada. Continua a compor e a viver da escrita com grande intensidade. Cada vez mais se dedica à sua propriedade de Aguada e chega a cultivar o isolamento. Data dessa altura a génese de duas das suas melhores composições, as mornas “Bidjiça” e “Nha Santana”. A morna “Bidjiça” nasceu de uma grande paixão não correspondida que o poeta teve, já no declínio da vida, por uma esbelta rapariga.

Decorria o dia 1 junho de 1930 quando, pelas onze horas da manhã, Eugénio Tavares, sentado a uma cadeira de baloiço na sua casa da Vila Nova Sintra, recebia a visita do seu amigo Pedro Castro e seu sobrinho José Medina e Vasconcelos. Como era comum, os três conversaram animadamentem rematando a conversa com uma estrondosa gargalhada, quando Eugénio Tavares deixou-se inclinar, fulminado por uma angina de peito. Morria assim, subitamente, aquele que em vida sempre se riu das fraquezas e do ridículo que ensombra tantas vezes certas áreas do Poder. Toda a população se sentiu envolvida num grito de morte e de luto. Houve quem dissesse que a Brava iria acabar como o seu poeta. As ruas de Nova Sintra vestiram-se de flores para passar o cortejo fúnebre que ao som de mornas dolentes levou o seu ente querido a sepultar no cemitério do Lem. Cabo Verde inteiro vestiu-se de luto.


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