Hotel Trópico Pestana: Uma referência na cidade da Praia
01 Jan 2012

Hotel Trópico Pestana: Uma referência na cidade da Praia

Em 1996 a cidade da Praia viu nascer um projecto hoteleiro que se distinguia de tudo o que até aí existia. O Hotel Trópico rapidamente se tornou uma referência na ilha de Santiago, quer pela qualidade, quer pela sempre crescente procura dos seus serviços

Desde a sua aquisição em abril de 2003 pelo grupo Pestana, o Hotel Trópico sempre apresentou bons resultados, reforçados pela abertura, em 2005, do aeroporto internacional da Praia. Fruto de todo este sucesso, encontra-se actualmente em fase de ampliação, o que deixa antecipar mais uns largos anos de êxito. Jorge Xavier, o seu diretor geral, dá-nos a sua visão do sector hoteleiro na atual conjuntura económica mundial.

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Quais as sua expectativas para esta unidade hoteleira?

A resposta está a ser dada neste momento através da ampliação da unidade, que vai passar dos actuais 51 para os 92 quartos. Iremos também proceder à renovação da piscina. Isto demonstra bem a confiança que temos, não só na empresa, mas também do desempenho económico do próprio país.

Como está o actual contexto económico mundial a influenciar o sector hoteleiro em Cabo Verde?

Embora não seja um especialista na área económica, vejo com alguma preocupação a actual conjuntura. Cabo Verde não passará incólume a esta crise, mas penso que, nestes últimos anos, têm sido tomadas várias medidas para minorar os seus efeitos. É evidente que estamos a antever que vem aí uma “borrasca” e neste momento o que estamos a fazer é vedar as portas e janelas e ver os possíveis furos que hajam no tecto – obviamente, estou aqui a fazer uma pequena analogia – para quando essa borrasca chegar estarmos preparados e não sermos demasiado afectados por ela.

Estou convencido que, devido às condições muito especiais em que o Pestana Trópico se insere, a crise, embora nos afecte – porque afecta toda a gente – será de certa forma minorada pela racionalidade das medidas que temos vindo a aplicar.

Já se sentem actualmente os efeitos desta crise?

Há que salientar que, à semelhança de outros países, há dois tipos de turismo em Cabo Verde: há o chamado turismo de negócios e o turismo de lazer.  Até pelo aumento da concorrência que se tem vindo a verificar, com a abertura de algumas unidades de pequena dimensão, a actual crise económica afecta igualmente a componente business na qual nos posicionamos. No entanto, neste momento, a procura, embora com um aumento de concorrência, continua a ser suficiente para quase todos. Pelo menos, os que conheço e oferecem qualidade aos clientes, sobrevivem perfeitamente na cidade da Praia.

Quanto à procura turística na componente lazer, Cabo Verde tem beneficiado, tal como outros países, da actual crise que o sector tem registado no norte de África. O Algarve beneficiou disso, a Madeira beneficiou disso, as Canárias beneficiaram disso… todas as regiões geográficas fora dessa área beneficiaram, porque os turistas balneares deixaram de ir para a Tunísia, Líbia e Egipto. Até Marrocos, mesmo sem problemas, foi prejudicado, pois as pessoas têm medo e também não vão. Cabo Verde também tem beneficiado com isso, mas esta é uma situação conjuntural e não estrutural.

Qual o perfil dos vossos principais clientes? 

O nosso cliente tipo é essencialmente empresário, quadro executivo ou técnico, que vem com objectivos bem definidos e que, por isso, passa aqui meia dúzia de dias. Tem as suas reuniões, os seus encontros e quando atinge os objectivos, vai-se embora.

A nossa taxa de ocupação ronda dos 80%. Como não temos sazonalidade, não temos os “picos” característicos do turismo de lazer. A taxa de ocupação do hotel é bastante plana. Há uma pequena quebra em Agosto e Dezembro, relacionada com o facto de nessas alturas as pessoas e as empresas se encontrarem de férias.

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Como classifica os actuais serviços proporcionado pelo Pestana Trópico Hotel?

Nós queremos sempre mais e melhor, tanto assim é que estamos a fazer um investimento vultuoso na renovação do hotel. Atendendo às circunstâncias que nos rodeiam, entendemos que, em termos de fiabilidade, brilhamos, porque não temos falhas graves; não falha a luz, não falha a água, não desaparece nada dos quartos.

As pessoas quando entram neste hotel sabem com o que podem contar. Sabem que é um hotel simpático e o comentário que mais me fazem é o de se sentirem em casa – este é o melhor elogio que nos podem fazer.

Em termos de formação dos funcionários, acha que estão à altura do reconhecimento já conquistado?

Todos os nossos funcionários possuem as condições básicas de formação, educação e seriedade. Quando os seleccionamos, é porque entendemos que reúnem as condições básicas de honestidade, seriedade, dedicação e responsabilidade. Depois, temos que os munir de ferramentas que lhes permitam exercer o seu trabalho. Quando cheguei ao Trópico, procurei não estragar o rumo que havia; não inventei a pólvora, apenas tentei procurar não estragar o que já havia e acima de tudo fomentar a cultura do grupo Pestana.

Há ainda a grande preocupação em lhes proporcionar formação. Um fenómeno muito recente e que constato com muito agrado é que, já temos a trabalhar entre nós pessoas saídas da “primeira fornada” de técnicos formados pela recentemente criada Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde. São cinco pessoas: duas na cozinha e três para as mesas e bar, e embora já o esperasse, estou agradavelmente surpreendido.

Considera então a formação profissional em Cabo Verde como essencial para o desenvolvimento da actividade?

É essencial. Em relação à escola que agora iniciou a sua actividade, encontra-se neste momento a formar quadros para a área de produção, nomeadamente para a cozinha, restaurantes e bares. Há depois um segmento intermédio ao nível da área da administração (recepção e controle) que depois chegará à gestão. No entanto, estes são processos gradativos e evolutivos que demoram o seu tempo.

É fundamental que Cabo Verde comece a ter quadros seus a gerir as empresas localizadas cá. Este é um dos objectivos da escola e o grupo Pestana identifica-se com este objectivo. Numa primeira fase, vêm quadros da sua confiança – como é o meu caso – e numa fase posterior procede-se à contratação de cidadãos nacionais.

O mercado hoteleiro em Cabo Verde, é um mercado com potencial de crescimento?

É um mercado com potencial de crescimento, mas também não caiamos no exagero de pensar que se pode desatar a abrir hotéis. Eu costumo citar o exemplo de Maputo, onde começaram a abrir hotéis uns atrás dos outros e actualmente estão todos a concorrer entre si, pois já não há procura para tanta oferta. Nós temos uma carência ligeira na parte da oferta, mas não é assim tão grande como isso.

Quando se fala em abrir mais hotéis, as pessoas têm que se lembrar de quantos aviões aterram no aeroporto, pois são essas pessoas que vão ocupar os hotéis. Muitos dos que viajam nesses aviões até terão raízes cá ou terão relações cá e não precisarão de hotel. Enquanto aterrarem apenas 1 ou 2 aviões não haverá assim tanta necessidade de novos empreendimentos. Haverá espaço para mais alguns quartos, mas não de forma a que se abram tantas novas unidades.

As pessoas não se podem esquecer que, por exemplo, quando há um evento, 2000 ou 3000 quartos não chegam, mas esse evento acontece uma vez em dez anos. Um hotel tem que ser vendido 365 dias por ano. Aí é que surgem os problemas. As pessoas que não pensem que temos aqui uma falta de quartos significativa, pois tal não é verdade. Temos uma carência de talvez 100 quartos. E 100 quartos multiplicados por 365 dias, são muitos quartos para a cidade da Praia.

Quais são os incentivos do governo para o desenvolvimento da actividade hoteleira em particular e do turismo em geral?

Eu não falo em incentivos, falo na ausência de complicações. O Estado cabo-verdiano não é um Estado rico que se possa permitir conceder incentivos a nível financeiro. O que acho bastante positivo é, para já, a ausência de corrupção, simplificação de processos, boa vontade e isenções de algumas taxas. Também o facto de se permitir o expatriamento de rendimentos legitimamente obtidos sem grandes complicações, é bastante significativo.  Se houver um investimento estrangeiro, o accionista vê remunerado o seu investimento e pode usufruir dos seus dividendos sem complicações, desde que, obviamente, sejam cumpridas as normas exigidas por Cabo Verde. Estes são os principais incentivos.

Costumo dar este exemplo: numa manhã, consigo reunir-me com a Direcção Geral de Energia, com a Direcção Geral do Comércio e com a Direcção Geral do Desenvolvimento Turístico. Há uma grande vontade em acolher investimento. As pessoas esforçam-se ao máximo para não complicar, o que é algo fantástico. Nos 8 anos que aqui estou, já contactei desde Câmaras Municipais a Institutos de Recursos Hídricos, Capitanias, Direcções Gerais de Turismo, de Comércio, de Ambiente, de Energia e nunca tive um problema sério. Por vezes, pode faltar um papel, ou uma assinatura, mas rapidamente tudo se resolve.

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Cabo Verde é um país competitivo capaz de atrair investimento externo? 

Cabo Verde é um país com características difíceis: poucos recursos naturais, descontinuidade territorial e com um mercado de reduzida dimensão. Torna-se assim complicado convencer alguém a investir para abastecer o mercado local. Como o mercado é pequeno, é muitas vezes mais racional desviar uma parte da produção que se tenha noutro país e envia-la para cá, do que estar a criar investimentos de raiz aqui. O custo real de produção seria elevadíssimo, não haveria maneira de conseguir diluir os seus custos pelo mercado interno. Antigamente o Sal, em termos turísticos, era muito procurado, hoje existe um “desvio” para a Boa Vista. No entanto, espera-se que, ao contrário do que aconteceu no Sal – que foi vítima de graves erros, quer ao nível estrutural, quer ao nível ambiental – na Boa Vista haja uma maior consciencialização e responsabilização, e não se voltem a cometer os erros de antigamente.

Cabo Verde também tem muita concorrência dos países vizinhos. Companhias aéreas que escalavam no Sal e que recentemente desviaram as suas operações para Dakar, pois foram-lhes oferecidas melhores condições. Cabo Verde tem realmente dificuldades em oferecer condições competitivas devido à sua falta de recursos.

O melhor que Cabo Verde tem para oferecer é o seu povo, a seriedade das suas gentes, a sua dedicação e honestidade, o que o torna, neste aspecto, muito acima do nível de desenvolvimento dos países vizinhos. Mas muitas vezes, isto só não chega.

Quais as suas expectativas em termos de desenvolvimento futuro?

Gostaria que as condições socioeconómicas se desenvolvessem ainda mais. Ao nível de vias de comunicação e infra-estruturas já se nota um grande desenvolvimento. Ao nível energético essas melhorias também são significativas, com a construção de novas barragens, parques eólicos e solares. Mas, o que eu gosto mais de constatar é o nível de vida das pessoas a aumentar, e isso é notório.

Quando vim para cá em 2003, o nível de escolaridade nas candidaturas recebidas aqui no hotel era pouco superior ao quarto ano. Hoje vêm com o décimo primeiro, décimo segundo ano ou mais, e isso é bom. Estamos a assistir a um processo evolutivo muito acelerado, esperemos que agora a conjuntura internacional não venha a arrefecer um pouco esta evolução.


 


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