Àlia dos Santos – Quintal da Música: Uma referência na restauração e na cultura
20 Fev 2013

Àlia dos Santos – Quintal da Música: Uma referência na restauração e na cultura

3- Alia dos Santos - NG

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A empresária Àlia dos Santos, natural da zona dos Picos em Santa Catarina, na Ilha de Santiago, tinha apenas um ano e dois meses quando ficou sem mãe. O seu pai, Filipe dos Santos, professor, quando foi transferido para a cidade da Praia levou consigo a pequena Àlia. Ali cresceu e se tornou mulher.
Foi secretária de vários ministros e trabalhou como técnica administrativa em vários Ministérios, no entanto, era na restauração que se sentia feliz. Desde cedo ligada ao setor da restauração, Àlia dos Santos já possuía um restaurante muito conhecido na cidade quando resolveu juntar as suas duas paixões: restauração e música. Investiu toda a sua dedicação e força de trabalho no Quintal da Música, situado no Plateau, centro histórico da Praia.
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4- Alia dos Santos - NGO Quintal da Música foi, em tempos, um quintal literal onde só os moradores do quarteirão tinham acesso. Mais tarde, num projeto criado em 2001 entre a Câmara Municipal da Praia e o grupo musical Sementeira, começou a ser explorado comercialmente. No entanto, esse projeto durou apenas um ano. A Câmara lançou o espaço a concurso e vinte pessoas concorreram por ele. Àlia dos Santos conta que, como sempre gostou de música, concorreu para ter um espaço onde pudesse fazer as duas coisas, tanto a música como a restauração. “Quando recebi a notícia que tinha sido a vencedora, nem queria acreditar”, relembra a empresária.

Contudo, quando o sonho principiou, tomou consciência de que um espaço aberto não oferecia as condições para o tipo de serviço que queria apresentar aos seus clientes e amantes da boa música. Foi então que decidiu remodelar completamente o lugar, “desde a colocação da cobertura, ao palco, balcão, cozinha, armazém, entrada, tudo foi transformado”, diz a empresária. Se tivesse de iniciar hoje o mesmo projeto, Àlia dos Santos só faria alterações se tivesse o apoio de alguém. “A casa é autónoma, porque é muito difícil obter o apoio de alguma entidade. Não contamos com o apoio do Governo, nem de instituições públicas ou estrangeiras. É com o que faturamos que pagamos as nossas contas”, esclarece.

O restaurante ostenta uma vasta lista de pratos típicos de Cabo Verde, bem como da cozinha internacional e exibe um leque de variados artistas nacionais, possibilitando aos clientes apreciar, dançar e cantar ao som do batuque, funaná, das mornas ou coladeiras.

A decoração rústica que a madeira, as peças de barro e o pano di terra conferem, invocam a sensação de aconchego, enquanto as fotos de artistas que fizeram ou fazem a história da música de Cabo Verde, cobrem as paredes conferindo glamour e encanto ao espaço.

Presentemente, o Quintal da Música ganhou nome a nível internacional e a empresária sente tanta responsabilidade que não consegue tirar alguns dias para descansar da agitação, “não faço férias para não ter de fechar e faço isso pensando nas pessoas que vão sentir falta deste espaço”, explica, “eu entro aqui às 7.30h da manhã e só saio de madrugada quando a casa fecha a porta. Só durmo 4h ou 5h por dia, mas estou feliz e satisfeita com o resultado”, confessa.

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Quintal da Música

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O segredo do sucesso é “tratarmos bem os músicos e deixá-los confortáveis. Assim, esta torna-se a casa deles e eles ficam amigos da casa. Sinto-me lisonjeada quando os músicos não esquecem quem apostou neles, já que o Quintal da Música tem feito muito pela nossa cultura”, salienta Àlia dos Santos. Muitos são os músicos que lhe deixam saudade – Albertino, Zeca Couto, Robert, César, Ulisses Português, entre outros. “Esta casa continua a ser de todos eles. Alguns nomes foram conhecidos por meio do Quintal da Música, como Paulinha, Pantera, Hugo e muitos mais. Partiram todos daqui, por isso sinto-me mãe de todos eles. O Vadu dizia-me sempre que eu era a sua segunda mãe, porque lhe dava conselhos, estava sempre presente nos momentos em que ele sentia necessidade para conversar e era eu a primeira pessoa que ele chamava para ouvir as músicas que compunha”, diz, emocionada. Àlia dos Santos termina dizendo que, “ainda há muito a fazer pela música cabo-verdiana. Há muitos jovens com talento que querem mostrar o que sabem, por isso, o Quintal da Música, ao estar aberto aos novos talentos, tem ainda muito a dar à cultura de Cabo Verde”.

 


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